COMPREENDER PARA CUIDAR

AS CRIANÇAS APRENDEM ATRAVÉS DOS ANIMAIS

A convivência com animais pode ajudar as crianças a desenvolver:

  • responsabilidade;
  • empatia;
  • paciência;
  • respeito;
  • capacidade de observar;
  • cuidado com os outros.

No entanto, a responsabilidade principal pelo animal pertence sempre ao adulto.

Uma criança não deve ser a única responsável pela alimentação, higiene, passeios ou cuidados de saúde.

Como ensinar uma criança a respeitar um animal

Explique de forma simples que o animal:

  • sente medo;
  • sente dor;
  • precisa de descansar;
  • nem sempre quer brincar;
  • não é um brinquedo;
  • tem limites;
  • deve ser tratado com cuidado.

Regras importantes

A criança não deve:

  • puxar a cauda;
  • puxar as orelhas;
  • montar o animal;
  • abraçá-lo com força;
  • acordá-lo;
  • retirar-lhe comida;
  • perseguir o animal;
  • fechar o animal num espaço;
  • gritar junto dele;
  • colocar o rosto muito perto do focinho.

Como aproximar a criança do animal

  1. O adulto deve estar sempre presente.
  2. A criança deve manter-se calma.
  3. O animal deve poder afastar-se.
  4. As festas devem ser suaves.
  5. O contacto deve ser curto.
  6. O comportamento tranquilo deve ser elogiado.
  7. A interação deve terminar antes de o animal ficar incomodado.

Ensinar através de pequenas tarefas

A criança pode participar em tarefas adequadas à idade, como:

  • encher a taça da água com supervisão;
  • ajudar a preparar a cama;
  • guardar os brinquedos;
  • acompanhar os passeios;
  • escovar o animal com ajuda;
  • aprender a observar a linguagem corporal.

Nunca deixe um bebe sozinho com um animal, mesmo que o animal seja habitualmente tranquilo.

O SILÊNCIO TAMBÉM PODE SER SOFRIMENTO

Nem todos os animais manifestam dor através de choros ou gritos.

Muitos animais escondem o sofrimento. Esta é uma forma de proteção natural. Por isso, mudanças pequenas podem ser muito importantes.

Sinais discretos de que algo pode estar errado

Esteja atento quando o animal:

  • deixa de brincar;
  • dorme mais do que o habitual;
  • se esconde;
  • evita subir escadas;
  • tem dificuldade em levantar-se;
  • não quer ser tocado;
  • deixa de saltar;
  • come menos;
  • bebe mais ou menos água;
  • muda de posição frequentemente;
  • fica mais irritado;
  • lambe sempre a mesma zona;
  • respira de forma diferente;
  • deixa de se limpar;
  • altera os hábitos de higiene.

Nos gatos, por exemplo, deixar de saltar para locais altos pode ser um sinal de dor. Num cão, recusar um passeio pode indicar cansaço, dor ou doença.

Como agir

Registar as mudanças

Anote:

  • quando começou;
  • em que momentos acontece;
  • se está a piorar;
  • se o animal continua a comer;
  • se bebe água;
  • se urina e defeca normalmente;
  • se houve alguma queda, acidente ou mudança.

Pode também gravar um pequeno vídeo do comportamento para mostrar ao veterinário.

Não administrar medicamentos humanos

Nunca dê medicamentos destinados a pessoas sem indicação veterinária.

Alguns medicamentos comuns podem ser muito perigosos ou fatais para os animais.

Contactar o veterinário

Não espere que o animal chore ou deixe completamente de se mexer. Quanto mais cedo for observado, maior poderá ser a possibilidade de tratar o problema.

Situações urgentes

Procure assistência veterinária rapidamente quando o animal apresenta:

  • dificuldade em respirar;
  • convulsões;
  • perda de consciência;
  • hemorragia;
  • barriga muito inchada;
  • vómitos repetidos;
  • incapacidade de urinar;
  • suspeita de envenenamento;
  • atropelamento;
  • queda grave;
  • dor intensa;
  • fraqueza repentina.

PORQUE É QUE O MEU CÃO DESTRÓI OBJETOS QUANDO FICA SOZINHO?

Um cão que destrói objetos não está necessariamente a vingar-se do tutor.

A destruição pode estar relacionada com:

  • ansiedade;
  • medo de ficar sozinho;
  • falta de exercício;
  • aborrecimento;
  • excesso de energia;
  • falta de estímulos;
  • acesso a objetos inadequados;
  • necessidade de roer;
  • medo de ruídos;
  • mudanças na rotina.

Como perceber a possível causa

Observe o momento em que a destruição acontece.

Se o cão destrói principalmente:

  • portas;
  • janelas;
  • objetos com o cheiro do tutor;
  • zonas de saída;
  • camas ou mantas;

e se também ladra, uiva, saliva ou tenta fugir, poderá existir ansiedade relacionada com a separação.

Se destrói objetos ao longo de todo o dia, poderá estar aborrecido ou ter falta de atividades adequadas.

Como prevenir

Fazer exercício antes de sair

Antes de deixar o cão sozinho, faça um passeio adaptado à idade, saúde e condição física do animal.

O passeio deve permitir:

  • andar;
  • cheirar;
  • explorar;
  • fazer as necessidades;
  • observar o ambiente.

Um passeio não deve ser apenas uma volta rápida ao quarteirão.

Disponibilizar objetos próprios para roer

Deixe brinquedos seguros e adequados ao tamanho do cão.

Pode usar:

  • brinquedos resistentes;
  • brinquedos que libertam alimento;
  • tapetes de procura;
  • objetos próprios para mastigação;
  • brinquedos recheáveis.

Confirme sempre se o objeto é seguro e se não existe risco de engasgamento.

Retirar objetos perigosos

Antes de sair, guarde:

  • fios elétricos;
  • medicamentos;
  • produtos de limpeza;
  • roupa;
  • calçado;
  • objetos pequenos;
  • alimentos perigosos;
  • sacos de plástico;
  • objetos cortantes.

Prevenir é mais seguro do que castigar.

Ensinar o cão a ficar sozinho

O treino deve ser gradual.

Pode começar por:

  1. Afastar-se durante alguns segundos.
  2. Regressar antes de o cão entrar em pânico.
  3. Repetir o exercício várias vezes.
  4. Aumentar lentamente o tempo de ausência.
  5. Evitar despedidas muito intensas.
  6. Regressar com tranquilidade.

Este processo pode levar tempo. Não deve aumentar a duração demasiado depressa.

O que não fazer

Quando regressar a casa e encontrar algo destruído:

  • não grite;
  • não bata;
  • não esfregue o focinho do animal no objeto;
  • não o feche como castigo;
  • não o castigue várias horas depois.

O cão não compreende um castigo aplicado muito tempo depois do comportamento.

Quando pedir ajuda

Procure ajuda profissional quando o cão:

  • tenta saltar janelas;
  • magoa as patas ou os dentes;
  • uiva durante longos períodos;
  • destrói portas;
  • saliva excessivamente;
  • não come quando está sozinho;
  • urina ou defeca devido ao pânico;
  • apresenta comportamentos perigosos.

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